Perceber mais fios no travesseiro, no ralo do chuveiro ou na escova costuma gerar preocupação, e com razão: para muitas mulheres, o cabelo está ligado à identidade e à autoestima. A queda de cabelo na mulher tem várias causas possíveis, e boa parte delas pode ser investigada com exames simples. Entender as possibilidades ajuda a chegar à consulta com mais tranquilidade.
Quanto cabelo é normal perder
Cada fio passa por um ciclo. Na fase de crescimento, que dura de dois a seis anos, estão cerca de 85% a 90% dos fios. Em seguida vem uma fase curta de transição e, por fim, uma fase de repouso de cerca de três meses, ao fim da qual o fio cai para dar lugar a um novo.
Por isso, perder de 50 a 100 fios por dia é considerado normal. Nos dias de lavagem a quantidade parece maior, porque se somam os fios que já estavam soltos.
Também vale diferenciar queda de quebra. Na queda, o fio sai inteiro, com uma pequena ponta esbranquiçada na raiz. Na quebra, ele se parte no meio do comprimento, em geral por química, calor ou atrito.
As principais causas
Eflúvio telógeno
É uma queda difusa, espalhada pela cabeça, que costuma começar de dois a três meses após um evento marcante para o organismo: parto, febre alta, infecções como a covid-19, cirurgia, perda de peso rápida, dieta muito restritiva, estresse intenso, suspensão de anticoncepcional ou início de alguns medicamentos.
Por causa desse intervalo, muitas vezes a queda não é associada à causa. Quando o fator desencadeante é identificado e resolvido, a queda tende a diminuir em alguns meses. Quando se prolonga por mais de seis meses, fala-se em eflúvio crônico, que pede investigação mais ampla.
Alopecia androgenética feminina
Também chamada de alopecia de padrão feminino, é uma condição crônica e progressiva. Mais do que uma queda intensa, ela aparece como afinamento: os fios ficam mais finos e curtos a cada ciclo, a risca do cabelo vai se alargando e o rabo de cavalo perde volume. A linha da frente costuma ser preservada.
Envolve predisposição genética e sensibilidade dos folículos aos hormônios. Pode começar cedo, mas costuma ficar mais evidente na perimenopausa e na menopausa. Quando vem acompanhada de acne, excesso de pelos ou menstruação irregular, é importante investigar alterações hormonais, como a síndrome dos ovários policísticos.
Deficiências nutricionais
A falta de ferro, mesmo sem anemia, é uma das causas mais estudadas, especialmente em mulheres com fluxo menstrual intenso. Níveis baixos de vitamina D, vitamina B12, zinco e proteína também podem contribuir. Dietas restritivas e cirurgia bariátrica aumentam esse risco.
Um cuidado importante: suplementar por conta própria não é indicado. Sem deficiência comprovada, os suplementos não mostram benefício, e o excesso de algumas substâncias, como a vitamina A e o selênio, também pode provocar queda.
Alterações da tireoide
Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem causar queda difusa. Costumam vir acompanhados de outros sinais, como cansaço, mudança de peso, pele seca e intolerância ao frio ou ao calor. O diagnóstico é feito com exames de sangue, e o acompanhamento envolve o endocrinologista.
Alopecia areata
Aparece como placas arredondadas, sem cabelo e com a pele lisa, que surgem de forma repentina. Pode atingir também sobrancelhas e cílios. É uma condição autoimune: não é contagiosa e não tem relação com falta de cuidado. A evolução é imprevisível, com casos que regridem sozinhos e outros que pedem acompanhamento mais longo.
Outras causas
- Tração: coques e rabos de cavalo apertados, tranças e apliques, usados por muito tempo.
- Medicamentos: alguns anticoagulantes, antidepressivos, retinoides orais e o tratamento oncológico.
- Doenças do couro cabeludo: dermatite seborreica e psoríase, por exemplo.
- Alopecias cicatriciais: um grupo menos frequente, em que a inflamação destrói o folículo. Vermelhidão e descamação ao redor dos fios, dor, ardência ou recuo da linha da frente e das sobrancelhas pedem avaliação cedo, porque nessas áreas a perda do folículo é permanente.
Quando investigar
Procure o dermatologista se você notar:
- queda intensa por mais de três meses;
- falhas ou placas sem cabelo;
- risca mais larga ou perda de volume progressiva;
- coceira, dor, ardência, vermelhidão ou descamação no couro cabeludo;
- queda de sobrancelhas ou cílios;
- sinais associados, como menstruação irregular, acne, excesso de pelos, cansaço ou alteração de peso.
Como é a investigação
Conversa e exame clínico
A consulta começa pela história: quando a queda começou, o que aconteceu nos meses anteriores, alimentação, medicamentos, ciclo menstrual, casos na família e rotina com o cabelo, como química, calor e penteados. Em seguida vem o exame do couro cabeludo, que pode incluir o teste de tração, em que a médica puxa delicadamente uma mecha para avaliar quantos fios se soltam.
Tricoscopia
A tricoscopia é a dermatoscopia do couro cabeludo: um exame não invasivo, feito com aparelho de aumento e luz próprios. Ela mostra a variação de espessura entre os fios, sinal típico da alopecia androgenética, além de sinais de inflamação e outros achados que ajudam a diferenciar as causas. As imagens podem ser registradas para comparação ao longo do acompanhamento.
Exames de sangue
Conforme o caso, podem ser pedidos hemograma, ferritina, função da tireoide, vitaminas e dosagens hormonais.
Biópsia
Em alguns casos, principalmente quando há suspeita de alopecia cicatricial, uma pequena amostra do couro cabeludo é analisada em laboratório.
O que esperar do tratamento
O tratamento depende da causa. No eflúvio, o foco é identificar e corrigir o fator desencadeante. Nas deficiências, a reposição é feita com orientação e exames de controle. Na alopecia androgenética, o cuidado é contínuo e pode envolver medicamentos tópicos ou orais e, em alguns casos, procedimentos, com o objetivo de controlar a progressão.
Como o ciclo do cabelo é lento, a resposta costuma ser avaliada em meses, não em semanas. Ela varia de pessoa para pessoa, e a indicação se define em consulta. O impacto emocional da queda também faz parte da conversa.
Cuidados do dia a dia
- lave o cabelo na frequência que o seu couro cabeludo pede;
- evite penteados muito apertados por longos períodos;
- modere o uso de chapinha, secador muito quente e procedimentos químicos;
- mantenha uma alimentação variada, com proteína suficiente;
- desconfie de fórmulas que anunciam efeito rápido.
Se você está em São Paulo e procura uma dermatologista em Perdizes para investigar a queda de cabelo, a Clínica Dra. Renata Mitelman fica na Rua Lincoln Albuquerque, na zona oeste da cidade. O agendamento pode ser feito pelos canais de contato do site.
Perguntas frequentes
Lavar o cabelo todos os dias aumenta a queda?
Não. Os fios que caem na lavagem já estavam na fase de queda e cairiam de qualquer forma.
A queda de cabelo após o parto é normal?
É comum. Costuma começar de dois a quatro meses após o parto e diminuir ao longo dos meses seguintes. Se persistir por muito tempo ou formar falhas, vale investigar.
Cortar o cabelo diminui a queda?
Não. O corte não atua na raiz, mas pode deixar os fios com aspecto mais cheio.
Tomar suplemento resolve a queda?
Apenas quando existe uma deficiência comprovada em exame. Sem ela, o suplemento não traz benefício e, em excesso, pode prejudicar.
Dra. Renata Mitelman · Dermatologista · CRM-SP 83687 · RQE 30804
Responsável técnica pela Clínica Dra. Renata Mitelman · Rua Lincoln Albuquerque, 259, conjuntos 115 e 116, Perdizes, São Paulo (SP)
Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. A indicação de qualquer tratamento se define em consulta, com avaliação individual.






