O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no Brasil, e boa parte dos casos surge em áreas que a própria pessoa consegue observar. Por isso o autoexame da pele é um hábito simples e útil: quem conhece a própria pele percebe com mais facilidade o que é novo ou o que mudou.
O autoexame não substitui a avaliação do dermatologista, mas ajuda a chegar à consulta com informações valiosas. Este guia mostra como fazer, o que observar e quando antecipar a consulta.
Por que o autoexame da pele faz diferença
A identificação no início amplia as possibilidades de tratamento e tende a tornar o tratamento menos extenso. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a Academia Americana de Dermatologia (AAD) recomendam que a observação da pele faça parte da rotina, em geral uma vez por mês, ao lado das consultas periódicas.
Não se trata de procurar doença em cada pinta. O objetivo é conhecer o seu padrão, para reconhecer o que foge dele.
Os três tipos mais comuns e como costumam aparecer
Carcinoma basocelular
É o mais frequente. Costuma surgir em áreas expostas ao sol, como rosto, orelhas, pescoço e couro cabeludo. Pode aparecer como uma pequena elevação de aspecto perolado ou brilhante, às vezes com vasinhos na superfície, ou como uma ferida que sangra com facilidade e não cicatriza. Cresce devagar e raramente se espalha para outros órgãos.
Carcinoma espinocelular
Também está ligado à exposição solar acumulada ao longo da vida. Pode surgir como uma lesão áspera, com crosta ou descamação, que cresce ao longo de semanas ou meses, ou como uma ferida persistente, inclusive nos lábios. Muitas vezes se desenvolve a partir das ceratoses actínicas, pequenas áreas ásperas causadas pelo sol, comuns no rosto, nas orelhas, no colo e no dorso das mãos.
Melanoma
É menos comum, porém mais agressivo. Pode surgir a partir de uma pinta que já existia ou como uma lesão nova. Em peles negras e pardas, aparece com frequência proporcionalmente maior nas palmas das mãos, nas plantas dos pés e nas unhas, justamente as regiões mais esquecidas no autoexame.
Como fazer o autoexame, passo a passo
O que você vai precisar
- um lugar bem iluminado;
- um espelho grande, de corpo inteiro;
- um espelho de mão;
- uma cadeira ou um banco;
- se possível, a ajuda de alguém de confiança para as costas e o couro cabeludo.
A sequência
- Rosto: observe nariz, lábios, boca e as orelhas, pela frente e por trás.
- Couro cabeludo: com um pente ou o jato de ar do secador, afaste o cabelo por partes. Aqui a ajuda de outra pessoa faz diferença.
- Mãos e braços: palmas, dorso, espaço entre os dedos, unhas, antebraços, cotovelos e axilas.
- Pescoço, colo e tronco: de frente para o espelho, incluindo as dobras da pele.
- Costas e nuca: de costas para o espelho grande, usando o espelho de mão.
- Pernas: frente, laterais e parte de trás, incluindo as coxas.
- Pés: sentada, observe o peito do pé, as plantas, o espaço entre os dedos e as unhas.
Inclua também as regiões que ficam cobertas pela roupa. O câncer de pele pode surgir em áreas pouco expostas ao sol.
O que observar em pintas e manchas
A regra do ABCDE
A regra do ABCDE, que apresentamos no texto sobre a consulta dermatológica anual, resume os sinais de alerta de uma pinta: assimetria, bordas irregulares, cor variada, diâmetro acima de 6 milímetros e evolução ao longo do tempo. Entre eles, a evolução merece atenção especial: uma pinta que muda de tamanho, cor, formato ou relevo precisa ser avaliada.
O sinal do patinho feio
As pintas de uma mesma pessoa costumam seguir um padrão parecido. A pinta que destoa das outras, seja pela cor, pelo tamanho ou pelo formato, merece avaliação, mesmo que não se encaixe em nenhum item do ABCDE.
Além das pintas
Nem todo câncer de pele se parece com uma pinta. Fique atenta também a:
- ferida que não cicatriza em cerca de quatro semanas;
- lesão que sangra com facilidade, mesmo sem machucado;
- área áspera ou descamativa que volta sempre no mesmo lugar;
- elevação perolada ou brilhante que aumenta de tamanho;
- faixa escura nova na unha, principalmente se for larga, irregular ou se a cor avançar para a pele ao redor;
- lesão que coça, dói ou arde de forma persistente.
Como registrar o que você observa
Uma pinta que parece igual pode ter mudado aos poucos. Fotografar ajuda:
- tire fotos com o celular, sempre com a mesma luz e a mesma distância;
- para pintas específicas, coloque uma régua ao lado, para ter noção do tamanho;
- anote a data e o local do corpo;
- leve as fotos à consulta.
Quando procurar o dermatologista
Sem esperar a consulta de rotina
Se você notar qualquer um dos sinais descritos acima, ou uma lesão que mudou em poucas semanas, a avaliação deve ser antecipada. Não é motivo para pânico: grande parte das lesões avaliadas é benigna, mas apenas o exame permite essa definição.
Acompanhamento regular
Pele clara, muitas pintas, histórico pessoal ou familiar de câncer de pele e imunidade reduzida pedem consultas com intervalos definidos. A frequência se define em consulta, de acordo com o seu caso.
O que acontece na avaliação
A consulta inclui o exame da pele do corpo inteiro e a dermatoscopia, que mostra estruturas das pintas invisíveis a olho nu. Quando indicado, as lesões são fotografadas para comparação nas consultas seguintes.
Se houver suspeita, pode ser feita uma biópsia, um pequeno procedimento com anestesia local para análise da lesão em laboratório. É esse exame que confirma o diagnóstico. A conduta, em cada caso, se define em consulta.
O autoexame e a prevenção caminham juntos
O autoexame anda junto com a proteção diária:
- protetor solar com FPS 30 ou mais, reaplicado ao longo do dia;
- chapéu, óculos escuros e roupas com proteção;
- sombra nos horários de sol mais intenso, entre 10h e 16h;
- nada de bronzeamento artificial, proibido no Brasil pela Anvisa desde 2009.
No guia sobre como preparar a pele para o verão, explicamos como escolher e usar o protetor solar.
Se você está em São Paulo e procura uma dermatologista em Perdizes para avaliar uma pinta ou fazer o exame da pele, a Clínica Dra. Renata Mitelman fica na Rua Lincoln Albuquerque, na zona oeste da cidade. O agendamento pode ser feito pelos canais de contato do site.
Perguntas frequentes
Com que frequência devo fazer o autoexame da pele?
Uma vez por mês é a referência mais usada.
Pinta que coça é câncer?
Nem sempre. A coceira tem muitas causas, mas uma pinta que coça de forma persistente, principalmente se também mudou de aspecto, merece avaliação.
Pessoas de pele negra também têm câncer de pele?
Sim. É menos frequente, mas pode ser identificado mais tarde. Por isso vale observar com atenção palmas, plantas dos pés, unhas e mucosas.
Retirar uma pinta pode fazer o câncer se espalhar?
Não. A retirada para análise é um procedimento seguro quando indicado, e é o que permite chegar ao diagnóstico.
Dra. Renata Mitelman · Dermatologista · CRM-SP 83687 · RQE 30804
Responsável técnica pela Clínica Dra. Renata Mitelman · Rua Lincoln Albuquerque, 259, conjuntos 115 e 116, Perdizes, São Paulo (SP)
Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. A indicação de qualquer tratamento se define em consulta, com avaliação individual.





